Tuesday, December 05, 2006

Franny and Zooey

Um caro amigo, também ele blogger amador, teve uma febre de "High Fidelity" e começou a fazer "top five lists". Uma delas versava cinco livros. Não percebi exactamente quais os critérios e premissas da escolha mas fiquei com vontade, não de fazer uma lista de cinco, mas invocar um livro em particular que, curiosamente, até já ofereci ao aludido amigo/blogger. Não estava na tal lista, compreensivelmente! Não que não seja da melhor literatura alguma vez produzida mas a verdade é que são tantos os livros que lemos ao longo da vida e em determinados momentos da mesma, desde "Os Maias" à "Riqueza das Nações", que se torna difícil fazermos uma lista que no ano seguinte se mantenha inalterada.
Na minha lista, curiosamente, o livro de que aqui vos falo tem permanecido no lugar cimeiro desde que o li, há cerca de cinco anos, e de cada vez que volto a lê-lo mais se distancia de todos os outros. Não sei explicar exactamente porquê. Acho que, acima de tudo, porque me dá um enorme prazer. Conforta-me. Tantos outros o fazem, só que este mais que qualquer outro.


Não vou fazer uma sinopse nem sequer tecer considerações sobre o autor, o qual poderá dizer-se, no mínimo, que se afigura uma personagem estranha. Sempre longe da ribalta. Escreveu muito pouco, mas esse "pouco" leva às cordas e bate por KO no primeiro assalto as dezenas de livros de um tal Saramago, aquele que não apreendeu pontuação na primária e tantos outros embustes agraciados com o Nobel.

A contribuir para a lenda está o facto do seu mais famoso romance "Catcher in the Rye" ter sido encontrado entre a colecção literária de Charles Manson, depois do "mass murder" em casa dos Polansky, e também de Mark Chapman, o assassino de John Lennon.

Curioso é também o facto de o autor ter deixado instruções expressas para que as suas obras nunca apresentassem na capa qualquer outra informação ou figura para além do nome do romance e respectivo autor. Nada de ilustrações ou fotografias supostamente apelativas. Só letras como se de um manuscrito se tratasse. Escreveu também em publicações periódicas como a Time e a New Yorker mas nunca como jornalista. Sempre a realidade mascarada de ficção e nunca o inverso. Foi aliás na New Yorker (em dois números consecutivos) que, pela primeira vez, foram publicados os dois "contos" (será que lhes posso chamar assim) que constituem "Franny and Zooey"

Enfim, talvez o maior génio da literatura anglo-saxónica. E, embora possa parecer, não é um extra-terrestre.



1 comment:

Fernando Bolivar said...

My boy, a lista a que se refere reflecte os melhores livros lidos em Leiden, (pelo que eu entendi desse maravilhoso blog que cita) normal e que, tendo lido avidamente o Salinger referido quando lhe ofereceu, agora nao esteja na lista. De qualquer forma, falta um na lista, sera Moravia. Espero que nao tenha reaccao alergica a Italianos. Quanto a Roth, se fica por cima ou por baixo do Salinger, deixo isso a quem se interessa. Dispenso graduar, mas que ele e bom, e! que odeia as mulheres (os supostos criticos tambem tem tendencia de dizer isso), nao sei, mas que a personagem principal e sempre um homem, la isso ninguem pode dizer que nao. Quanto aos criticos literarios e todos os restantes em geral, deixo apenas a minha filosofia quanto a essa classe. Quando aparecer um que nao fale de um livro como se fosse um pai a ver um filho a tentar atravessar uma fase de crescimento que ele se lembra perfeitamente, entao ai passo a ler esse critico. (por isso, Salinger, Roth, Faulkner, vivo feliz por todos existirem na estante).