Friday, November 24, 2006

Bond


Estreou ontem o novo "James Bond". A prequela da saga, Casino Royale, já antes satirizada com David Niven no papel do espião e banda sonora de Burt Bacharach [Burt, não me esqueci da tua merecida homenagem!]. Agora, protagonizada pelo outsider Daniel Craig, depois de imaginada por Quentin Tarantino, ao qual, alegadamente, roubaram a ideia de uma nova versão do filme já considerado de culto, é primeira página dos jornais nacionais. Estranho, especialmente considerando que já ninguém ligava às novas aventuras do 007!
Não vi ainda esta nova versão, sendo certo que não a perderei, isto, por duas razões essenciais:
A primeira, porque, depois do Sean Connery, deixei de ver o James Bond como uma personagem, passando a vê-lo, a cada novo filme (sem perder qualquer um deles), como uma ideia. Consigo reconhecer que Pierce Brosnan é melhor que George Lazenby ou Timothy Dalton, mas tornou-se indiferente qual o actor que desempenhava o papel. Era um espião do MI6 a quem insistiam em chamar James Bond, mas que, na verdade, não o era.
E isto dita a segunda razão que impõe o visionamento do novo Casino Royale. Segundo consta, este James Bond está mais próximo da "ideia" que o senhor na fotografia infra criou e, assim, mais próximo do "definitivo James Bond", o de Sean Connery. Parece que é frio e brutal, egocêntrico e megalómano, narcissista e presunçoso. Parece que finalmente teremos um Bond a sério, como não víamos desde os longíquos filmes da década de 60.
Estou igualmente curioso acerca da "title song", sempre envolta no mais absoluto segredo e julgada por comparação com todas as anteriores, Tom Jones incluído. Desta vez cabe a Chris Cornell. O dos Soundgargen. Gosto da voz e já provou que tem songwritting skills. Penso que se adequará bem ao ambiente do filme. Mais frio e negro.
De todo o modo, como em qualquer filme, só vendo... Certo é que estou bastante esperançado em poder voltar a dizer que sou um fã do 007. Se o espião é, presentemente, Daniel Craig, ou Clive Owen, ou até Jude Law, pouco importa. Desde que nos devolvam o Bond de Ian Fleming.
Sir Ian:

O verdadeiro Bond, inimitável:



O meu preferido:

2 comments:

Me Magdalena said...

Extraordinária, conhecedora e apurada opinião. Como já nos vens habituando. Quando o tempo te for menos escasso, vê igualmente o meu post. Num diferente registo, mas sobre o mesmo tema. Não há dúvida, há almas que, sendo diferentes, são mais que gémeas.

Fernando Bolivar said...

caro yuppie,

Tendo finalmente uns minutos para comentar algo... Nao falarei do filme em si, pois admito, ja fui ver. (a esta hora tambem teras ido ver, presumo), o que acho realmente piada a personagem, totalmente concordo, desligada ja dos anteriores e dos nomes, parece uma assinalavel coincidencia que todos os diferentes agentes do MI6 se chamem Bond, mais do que sentir que e sempre o mesmo, como dizia, e assinalavel o desenvolvimento da personalidade de Bond no acompanhar da sociedade de consumo dos ultimos 30 anos. O Bond machista, indecente, que se divide entre a "bofetada na gaja estilo Charles Bronson" e a "noite de amor bem entregue depois de um estalar de dedos", as Bond girls provocadoras, recall octopussy here, mulheres pintadas de ouro, existiu de facto ha 30 anos. Hoje o mercado do cinema blockbuster nao consegue viver com ele. O Pierce foi uma ma tentativa de actualizacao ao gosto moderno, tentativa exagerada, ninguem se podia identificar com ele. Este, parece estar um bom trabalho, de facto nao pode ter a mesma actitude que os anteriores, mas por outro lado tambem nao e um menino a chorar nas saias da M (que significa, obviamente "mammy", nem sequer Mother para o Pierce. Nao, o Bond e um dinossauro da Guerra fria, machista, frio, utiliza mulheres e mata homens, a guerra fria acabou, mas acho excelente tentar manter a figura viva, ainda que com pequena actualizacao a sociedade moderna (exemplo do que digo, voltou o Aston Martin, tinha de ser, tinha de ser...