
Porque já ninguém liga aos Óscares, e enquanto não publico o meu veredicto sobre as recentes colecções para o Outono-Inverno de 2009, deixo-vos com um pequeno aperitivo de alguns dos principais desfiles.


















Uma tendência que certamente não abraçarei (pelo menos no Inverno) é a das saias/calças. Isso deixo para os escoceses em dia de festa. Contudo, parece que a moda se poderá instalar.
De qualquer forma já quase sempre são as mulheres que, nos tempos que correm, usam as calças (Este comentário não deve ser entendido como misógino ou machista, mas como mera constatação de um facto).
As que se vêem na foto abaixo são de YSL, Alexander McQueen e Yohji Yamamoto.

Já os grandes cachecóis se adequam mais ao meu estilo e se justificam, em termos práticos, pelo decréscimo de temperaturas que os novos Invernos sucessivamente vêm registando.
Aqui vos deixo três exemplos, respectivamente apresentados por Cerruti, Ann DeMeulemeester e Gianfranco Ferré.

Outra tendência interessante é a dos sobretudos bicolores, uma que certamente seguirei. Vou estar de olho no do Raf Simons (o primeiro a contar da direita). Os outros são de Ann Demeulemeester e Hermés.

A tendência que mais me agradou é a dos "double breasted" (ou, em português, fatos entrecortados). Com as medidas certas, i.e., bem justos na cintura e a abraçar os ombros, dão-nos um look muito mais arrojado e poderoso do que qualquer "single". Não é por acaso que o Gordon Gekko só usava "double breasted". E as lapelas não podiam ser melhores...

(Moschino)

(Zegna)

(Armani)

(Versace)
Em último lugar não posso deixar de referir duas extravagâncias que talvez não sejam trends mas, pelo menos, dão que pensar aos apreciadores destas matérias.
A primeira é a que se encontra documentada pela fotografia que abre este post e que esteve a cargo do enigmático Thom Browne (continuo sem saber se gosto das criações do homem ou não).
Desta vez, a sua apresentação na Pitti Uomo consistiu em encher uma sala de aula com 40 modelos todos vestidos exactamente da mesma maneira. Será que, como alguém dizia, "uniformity is beauty"?
A outra extravagância registou-se nos desfiles de Alexander McQueen, Number (N)ine e Yohji Yamamoto, onde, como acessórios, os estilistas apresentaram luvas de boxe (McQueen), livros usados com aplicações em pele (Number (N)ine ) e baguetes (Yohji Yamamoto).
ine+Yohji+Yamamoto.jpg)
Pensando bem, a coisa até pode ser muito útil. Baguetes para matar a fome, livros para aproveitar os momentos mortos e as luvas para espancar alguém que nos irrite.









É provável que já se tenham cruzado com ela no ecrã, do cinema ou televisão.
A “menina” entrou no “Ocean’s Twelve” e nalguns episódios das séries “Chuck” e “Entourage”, entre outros filmes e séries.
Também a poderão ter visto a desfilar para a Victoria’s Secret, o que é sempre um atestado de grande competência e valor, ou na publicidade do perfume Armani Code.
Nada melhor do que cada um avaliar por si.


Vai ou não ser um grande valor…?
Eu tenho a certeza que sim!

Finalmente de regresso…!
Não há desculpa possível para tão prolongada ausência das lides bloguistas mas, se a alguém serve de consolo, foi o trabalho insano, seguido de umas (agora sim) merecidas férias e, sem tempo para respirar, os exames e trabalhos do MBA em que (inconscientemente) me meti, que me mantiveram afastado deste universo.
Como o tempo perdido foi muito conto voltar ao activo com alguma regularidade, começando com uma temática que deixei pendente há alguns meses.
A questão surgiu num já longínquo jantar de amigos, os quais me questionaram sobre a razão de estar a usar a gravata expondo (lado a lado) as duas pontas. A resposta, para mim evidente, causou alguma perplexidade na assembleia, a qual não deixou de esboçar um sorriso jocoso (do tipo, “desta é que ele flipou de vez!”).
A Resposta é simples: Sprezzatura!
A palavra é italiana e pretende significar (para os que não o sabem) um estilo descomprometido e nonchalant. Como os ingleses dizem, uma “effortless ease”.
Segundo rezam as crónicas, o conceito foi popularizado pelo magnata e style icon (já bastas vezes aqui referido) Gianni Agnelli, o qual, como poderão constatar pelas fotografias abaixo, o levava ao extremo com o seu look “relógio sobre o punho da camisa”.

E é aqui que entra a grande interrogação: sprezzatura ou sillyness?
Se para um “purista” pode fazer sentido usar o relógio sobre o punho da camisa, permitindo que se veja exactamente a mesma “quantidade” de tecido por baixo da manga do casaco, não sei até que ponto esta opção será entendida pelo comum dos mortais.
Para mim, faz todo o sentido usar a gravata com as duas pontas visíveis (ou com a ponta de trás mais comprida que a da frente), enfiar o lenço de lapela no casaco sem qualquer cuidado especial (pelo menos aparente), usar os monkstrap de duas fivelas com uma desapertada e mesmo usar as luvas como lenço de lapela no sobretudo.



Mas não será levar a “brincadeira” um pouco longe demais, usar, por exemplo, uns monkstrap de uma só fivela desapertados, um lenço de lapela no roupão ou o referido relógio sobre o punho da camisa?



Nunca vou de férias sozinho. Para além da família e amigos (de carne e osso) levo sempre outro tipo de amigos, aqueles que cabem dentro da mala, em forma de livro.
Estas férias levei o falecido Luiz Pacheco, com quem conversei, por interposta pessoa, através das suas entrevistas recentemente publicadas, assim como esse génio incompreendido da literatura anglo-saxónica, Hector Hugh Munro, mais conhecido por Saki.
Um notável e reconhecido dandy, nascido na Birmânia em 1870 e falecido em França, com 45 anos, deixou a sua marca na literatura satírica da viragem de Século.
Sendo certo que os mais rasgados elogios à sua escrita são dirigidos à crítica social acutilante e inteligente que tecia à sociedade britânica de finais do Século XIX e princípios do Século XX, o que mais me fascina é a transposição da sua experiência pessoal e das suas reflexões filosóficas para os curtos (e escassos) contos que deixou.
A cada nova leitura encontro frases e pensamentos cujo alcance me escapara anteriormente ou, simplesmente, me haviam passado despercebidos.
Desta vez encontrei mais um, simples (como se quer) mas absolutamente delicioso.
Deixo-vos uma tradução livre:
“Os hors d'oeuvres sempre apresentaram um interesse patético para mim – disse Reginald. Lembram-me a infância por que temos de passar, sempre a imaginar como será o próximo prato – e durante o resto do menu uma pessoa acha que teria sido melhor comer mais hors d'oeuvres.” (Reginald no Carlton, in Reginald)
Nota: O título deste post não é para ser percebido senão por quem me acompanhou nas aludidas férias.


